CPJ no MediaOn 2010

Por Diogo Cutinhola, colaborador do Blog CPJ

O CPJ esteve nesta quarta-feira (10) no Centro Itaú Cultural, em São Paulo, cobrindo o segundo dia de palestras do 4º MediaOn – Seminário Internacional de Jornalismo Online.

O primeiro painel do dia abordou o futuro dos veículos de notícias inseridos nos tablets, smartphones e afins. Participaram do debate Pablo Mancini, Gerente de Serviços Digitais do Grupo Clarín e Alberto Cairo, Diretor de Infografia e Multimídia da Revista Época.

Como não podia deixar de ser, um dos assuntos mais comentados – e que não é tão recente assim – foi a pergunta sobre como será o futuro dos impressos jornalísticos. Possibilidades como a venda online de jornais e revistas através de aplicativos para celulares, Ipad´s, etc, foram discutidas. Os participantes da mesa também projetaram uma divisão cada vez mais freqüente das redações entre impresso e digital.

Segundo Alberto Cairo, “a ordem dos fatores foi alterada. Antes as pessoas tinham muito tempo e poucas fontes de informações. Hoje cada vez mais temos pouco tempo e muita informação”. Já Pablo Mancini focou sua apresentação na mudança circunstancial do perfil do público receptor, que antes era passivo e atencioso e atualmente é ativo e crítico, influenciando significamente o preenchimento e a criação do conteúdo do veículo.

O segundo debate se mostrou o mais quente e tenso do dia. O principal assunto foi a utilização das redes sociais e da internet em geral na corrida presidencial nas últimas eleições. Mediada por Heródoto Barbeiro, a mesa teve a participação de Marcelo Branco, coordenador de mídias digitais da presidente eleita Dilma Roussef (PT), Soninha Francine, responsável pela campanha de José Serra (PSDB) na internet, além de Caio Tulio Costa, da equipe de Marina Silva (PV).

Inicialmente cada convidado apresentou as diretrizes empregadas em todo processo eleitoral, apontando as estratégias de captação de eleitores e os resultados obtidos com o uso de redes sociais e outras ferramentas digitais. Ficou evidente que a consolidação dos dados de internet e suas alterações sempre convergiam com os períodos de oscilação de cada candidato nas pesquisas de intenção de voto.  

A partir do momento em que o painel foi aberto à participação do público através das perguntas, o debate tomou um tom maior de campanha política, como se ainda estivéssemos nas eleições. Temas como e-mails indevidos nominais ou não supostamente enviados pelas campanhas, além do telemarketing abusivo e a utilização de recursos como boatos e “fofocas” foram pautas centrais. Os palestrantes responderam sobre a responsabilidade de cada coligação quanto ao conteúdo divulgado por militantes, e de que forma poderiam ser evitadas as ofensas entre os eleitores.

As discussões do terceiro debate envolveram a relação entre a publicidade e a preferência dos anunciantes: Audiência ou Conteúdo? Assim como nas demais palestras, o tema principal foi a inclusão das redes sociais na comunicação. Os convidados debateram sobre as ações desenvolvidas entre clientes e agências para explorar o conceito de interatividade no segmento de propaganda.

Os debatedores convidados foram Abel Reis, presidente da agência Click, João Ciaco, Diretor de Relacionamento e Marketing da FIAT, Carlos Werner, Diretor de Marketing da Samsung e Sérgio Vaslente, presidente da DM9DDB. O painel teve mediação do Diretor Geral do Terra, Paulo Castro.


Já o último simpósio do dia abordou o perfil dos novos agentes da notícia. Quem eles são e como as redes sociais pautam os veículos, sejam eles pequenos ou grandes conglomerados. Segundo o editor de interatividade e desenvolvimento de mídias sociais da BBC News, Matthew Eltringham, o fato de um veículo ser pautado por twitteiros, por exemplo, obriga o jornalista a buscar uma forma mais apurada da informação e procurar outras fontes que confirmem a notícia. Com isso, ele afirma: “Estamos renascendo o jornalismo verdadeiro e mais sincero”.

Também palestrante, o diretor do site argentino Cukmi.com, Julian Gallo, tocou num ponto sensível de discussão no âmbito jornalístico do país, que é a obrigação – ou não – de um diploma para se exercer a profissão de jornalista no Brasil. Segundo ele: “Não há o que justifique que apenas jornalistas possam escrever e exercer sua liberdade de expressão”, posição também defendida por Eltringham. Ambos afirmaram que em seus respectivos países não há a obrigação do diploma para exercer a função. A mediadora desse debate foi Silvia Bassi, Publisher da IDG Brasil, responsável pela frase talvez mais retuitada na hashtag #MediaOn, onde ela defende que “jornalistas precisam se formar mais humildes, pois não são mais os donos da notícia”.

Cobertura do MediaOn

O CPJ acompanha o último dia de palestras do MediaOn 2010 nesta quinta-feira (11). Entre outros participantes, estarão presentes Mauricio Ricardo, do site Charges.com.br, Antonio Pedro Tabet, do Kibe Loco, Sérgio Dávila, Editor-Executivo da Folha de S. Paulo, Ricardo Gandour, Diretor de Conteúdo do Grupo Estado, e Marcelo Tas, do CQC. Fique ligado!

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Uma resposta

  1. […] CPJ também fez a cobertura do MediaOn na quarta-feira (10). Leia aqui o que aconteceu nas palestras sobre a influência da produção e do consumo de informação em […]

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